Como saber se um procedimento dá lucro?
Como saber se um procedimento dá lucro parece uma pergunta de calculadora e é, na verdade, uma pergunta de critério: depende de você decidir se está medindo por caso, por hora ou pelo que aquele paciente traz depois. As três respostas podem ser diferentes para o mesmo procedimento.

Um procedimento dá lucro quando o que sobra dele, dividido pelo tempo de cadeira que ele ocupa, é maior que o custo da sua hora. Medir por caso engana: dois procedimentos com a mesma sobra valem coisas muito diferentes se um ocupa uma hora e o outro ocupa quatro.

A pergunta costuma aparecer quando a clínica está cheia e o resultado não acompanha — agenda com 90% de ocupação e caixa apertado é a combinação clássica. É um bom sinal — significa que você parou de olhar só o movimento e começou a olhar o que ele deixa.
Para responder é preciso ter a conta de margem feita. Se ainda não fez, comece pelo guia sobre margem de lucro de procedimento odontológico e volte aqui com o número na mão.
Por que a conta por caso engana?
Mesmo valor cobrado, sobras diferentes. E nenhuma das duas responde à pergunta sozinha: falta saber quanto tempo cada uma ocupou.
Porque ela trata todo procedimento como se custasse o mesmo recurso escasso, e não custa. Cadeira e tempo de dentista são o estoque que a clínica não consegue aumentar comprando mais. Um caso que sobra R$ 400 em 4 horas rende R$ 100 por hora; outro que sobra R$ 200 em 1 hora rende o dobro disso — e é o segundo que a clínica deveria fazer mais vezes.
Como fazer a conta por hora?
Divida a sobra pela duração e os três casos deixam de parecer equivalentes. É essa divisão que responde o que a clínica deveria fazer mais vezes.
Divida a margem do procedimento pelas horas que ele ocupa — 15 ou 20 minutos de preparo e limpeza entre pacientes entram nessa conta — que é cadeira ocupada mesmo sem ninguém sentado. Compare o resultado com o custo da sua hora de cadeira. Se a margem por hora for menor que o custo da hora, aquele procedimento consome mais do que devolve.
Inclua também o retrabalho previsível. Se 1 em cada 10 casos volta para ajuste de 30 minutos, a duração real do procedimento é 3 minutos maior do que a nominal — e essa diferença muda a conclusão com frequência.
O que fazer quando o resultado é negativo?
- Antes de mexer no preço, confira a duração: cronometre 5 casos reais e compare com a sua tabela. Procedimento que demora mais que o previsto é a causa mais comum, e é a mais fácil de corrigir.
- Olhe o material: troca de marca, desperdício e compra em quantidade errada aparecem aqui. Comparar 3 orçamentos do mesmo item costuma revelar diferenças relevantes.
- Veja se o custo da hora não está inflado por agenda vazia. Nesse caso o problema não é o procedimento.
- Se nada disso resolver, aí sim é preço — ou é um procedimento que você faz por outro motivo, conscientemente.
A ordem importa. Subir preço para corrigir um problema de agenda vazia resolve o sintoma e agrava a causa, porque preço maior com agenda vazia costuma deixar a agenda mais vazia ainda.
Todo procedimento precisa dar lucro sozinho?
Não, e essa é a parte que a planilha não mostra. Alguns procedimentos existem como porta de entrada: trazem o paciente, criam confiança e levam a tratamentos maiores. Se você mede só o caso isolado, corta justamente o que alimenta o resto.
O que dá para exigir é que a decisão seja consciente. Manter um procedimento de margem apertada porque ele traz paciente é estratégia; mantê-lo sem saber que a margem é apertada é outra coisa.
Que números você precisa ter para decidir?
A decisão não exige sistema: exige que quatro números parem de viver espalhados — duração real, material, custo da hora e o que aquele paciente trouxe depois.
São 4 números, e nenhum deles é difícil: a duração real do procedimento (não a que está na tabela), o custo do material, o custo da sua hora de cadeira e quanto aquele paciente gerou nos 12 meses seguintes. Os três primeiros você levanta numa tarde; o quarto exige que a clínica registre o histórico — e é o que mais muda decisões.

Perguntas frequentes
Como saber se um procedimento dá lucro?+
Divida o que sobra dele pelo tempo de cadeira que ele ocupa e compare com o custo da sua hora. Se a margem por hora for menor que o custo da hora, aquele procedimento consome mais do que devolve.
Por que medir por hora e não por caso?+
Porque cadeira e tempo de dentista são o estoque que a clínica não consegue aumentar comprando mais. Dois procedimentos com a mesma sobra valem coisas diferentes se um ocupa uma hora e o outro ocupa quatro.
O que fazer quando um procedimento dá prejuízo?+
Na ordem: confira a duração real, depois o material, depois se o custo da hora não está inflado por agenda vazia. Só então mexa no preço. Subir preço para corrigir agenda vazia agrava a causa.
Todo procedimento precisa ser lucrativo sozinho?+
Não. Alguns existem como porta de entrada e levam a tratamentos maiores. O que se pode exigir é que a decisão seja consciente — manter margem apertada de propósito é estratégia; mantê-la sem saber é outra coisa.
Preciso incluir o tempo de limpeza e preparo?+
Sim. É cadeira ocupada mesmo sem paciente sentado, e deixar de fora subestima a duração de todo procedimento — o que faz os mais rápidos parecerem melhores do que são.
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