Como precificar procedimento odontológico: custo, preço e margem
Para precificar um procedimento com segurança você precisa de um número que a maioria das clínicas não tem à mão: o custo real dele. Com o custo, o preço é uma decisão de margem; sem ele, é chute — e o relatório mostra faturamento, nunca lucro.

Para precificar um procedimento odontológico, calcule primeiro o custo real (material, hora de cadeira, laboratório, comissão e taxa) e defina o preço a partir de uma margem-alvo — nunca do preço do concorrente. O erro mais comum é somar os custos e adicionar uma margem por cima, ignorando que comissão e taxa crescem junto com o preço.

Este guia foca em transformar o custo já calculado em preço de tabela. Se você ainda não tem o custo do procedimento levantado, veja primeiro o guia sobre custo real de procedimento odontológico e volte para decidir o preço.
Quais são os cinco componentes do custo de um procedimento?
O custo de um procedimento odontológico é a soma de material, tempo de cadeira (sua hora × duração), laboratório, comissão do profissional e a taxa da forma de pagamento. Faltar um deles é o motivo mais comum de uma clínica achar que tem margem e não ter.
Por que a soma ingênua de custos dá um preço errado?
Comissão e taxa não são valores fixos: são percentuais do preço. Então somar todos os custos e 'adicionar 40% de margem' está errado — ao subir o preço, comissão e taxa sobem junto e comem a margem. O cálculo correto usa o ponto de equilíbrio: custo fixo dividido por (1 menos a soma dos percentuais variáveis). A diferença entre a soma ingênua e a conta certa pode ser a diferença entre lucro e prejuízo no mesmo procedimento.
Quanto custa a sua hora de cadeira?
Esse é o número que trava a maioria das clínicas logo no começo. A sua hora de cadeira sai das despesas fixas do mês (aluguel, equipe, contas) divididas pelas horas úteis de atendimento. Sabendo o custo da hora, todo procedimento passa a ter um custo de tempo real — e não uma estimativa no olho.
A calculadora da A2 sugere esse custo/hora a partir das despesas do mês e das horas do seu expediente, justamente para você não precisar adivinhar o campo que mais atrapalha.
Do custo ao preço: como definir a margem-alvo?
Com o custo real na mão, precificar vira uma decisão consciente: você define a margem-alvo e o preço sai dela — não do preço do concorrente. E dá pra fazer o caminho inverso: pegar o preço que você já cobra e ver a margem real, com alerta quando estiver abaixo do que se paga. Isso transforma o relatório de receita num relatório de lucro, com custo, lucro e margem por procedimento.
Preço construído de dentro para fora, camada por camada, é o oposto de copiar o número do concorrente — que esconde toda a estrutura que sustenta aquele valor.
Preço redondo ou preço quebrado — o que funciona melhor?
Os dois funcionam; o que não funciona é decidir no olho. Preço redondo (R$ 1.200) facilita o cálculo de parcelamento e passa segurança; preço quebrado (R$ 1.180) costuma ser lido como mais 'calculado' e menos arredondado para cima. Nenhum dos dois compensa margem insuficiente — a decisão de formato vem depois do custo, nunca no lugar dele.
Como ajustar o preço sem perder paciente de tabela antiga?
Reajustar por faixa — em vez de um valor único para todo o catálogo — deixa claro o que mudou e por quê, procedimento a procedimento.
Avise com pelo menos 30 dias de antecedência, aplique o reajuste em orçamentos novos e honre o preço já aprovado para quem já está em tratamento — mudar o valor de um plano em andamento é o que mais gera reclamação, e o desgaste costuma custar mais do que a diferença de preço.
Com que frequência revisar toda a tabela de preços?
O material, a cada reajuste do fornecedor. A hora de cadeira, a cada 3 ou 4 meses. E a tabela inteira, 1 vez por ano — antes da época em que a clínica costuma reajustar, para não decidir apressado no mês seguinte.

Veja a conta aplicada à sua clínica no diagnóstico gratuito, ou entenda como o financeiro da A2 mostra o lucro por procedimento — não só o faturamento.
Perguntas frequentes
Por que não posso somar os custos e adicionar uma margem?+
Porque comissão e taxa são percentuais do preço, não valores fixos. Quando você aumenta o preço para incluir a margem, esses percentuais aumentam junto. O jeito certo é o ponto de equilíbrio: custo fixo ÷ (1 − percentuais variáveis). A soma ingênua costuma devolver um preço abaixo do real.
Como descubro o custo da minha hora de cadeira?+
Some as despesas fixas do mês (aluguel, equipe, contas, estrutura) e divida pelas horas úteis de atendimento no mesmo período. O resultado é quanto custa manter a cadeira funcionando por hora — a base do custo de tempo de qualquer procedimento.
Material sem controle de estoque entra na conta?+
Entra. Você não precisa ter estoque informatizado para começar a precificar: dá pra informar o material consumido no procedimento (por exemplo, a quantidade de resina) direto no cálculo. Ter o estoque integrado ajuda depois, mas não é pré-requisito para saber o custo.
Qual a diferença entre margem-alvo e ponto de equilíbrio?+
Ponto de equilíbrio é o preço mínimo em que você não perde dinheiro — abaixo dele é prejuízo. Margem-alvo é o lucro que você decide ter acima disso. Você respeita o primeiro e escolhe o segundo.
Devo usar preço redondo ou preço quebrado?+
Os dois funcionam — a diferença é de percepção, não de margem. O que garante lucro é o custo calculado por trás do número, não a forma como ele termina.
Como avisar o paciente sobre reajuste de preço?+
Com antecedência (30 dias é um prazo comum) e aplicando o novo valor só em orçamentos novos. Tratamento já aprovado e em andamento mantém o preço combinado — mudar no meio custa mais em desgaste do que a diferença cobre.
Preciso revisar a tabela de preços inteira de uma vez?+
Não precisa ser tudo de uma vez, mas vale ter uma data fixa no ano para revisar o catálogo inteiro, além dos ajustes pontuais por procedimento quando o material ou o laboratório reajustam antes disso.
Próximo passo
Continue lendo
- Quanto investir em marketing odontológico (e como saber o retorno)
- Quanto cobrar por lente de contato dental e faceta (sem vender no prejuízo)
- Margem de lucro de procedimento odontológico: como calcular a sua
- Custo real de um procedimento odontológico: o que quase ninguém conta
- Como saber se um procedimento dá lucro?