Guia · Precificação

Quanto cobrar por lente de contato dental e faceta (sem vender no prejuízo)

O preço certo de uma lente de contato dental ou faceta não sai de uma tabela — sai do seu custo real mais a margem que você decide. O erro que quebra clínica de estética é copiar o preço do vizinho sem saber quanto o procedimento custa na sua própria cadeira.

Mãos com luvas seguram uma faceta com pinça, com um modelo de gesso ao fundo, com o título "Quanto cobrar por lente e faceta"

O preço de uma lente de contato dental ou faceta sai do seu custo real — material, tempo de cadeira, laboratório, comissão e taxa — mais a margem que você decide, nunca do preço do concorrente. Calcule o ponto de equilíbrio (custo fixo dividido por 1 menos os percentuais variáveis) antes de definir o valor.

Dentista mostra a cor de uma faceta comparando com o sorriso da paciente na tela, segurando a peça na mão

O que entra no custo real de uma lente ou faceta?

Antes de falar em preço, você precisa do custo — e ele é maior do que só o material. Num procedimento estético entram cinco coisas: material (resina, cerâmica, laboratório de facetas), tempo de cadeira (a sua hora de trabalho vezes a duração), laboratório, comissão do profissional e a taxa da forma de pagamento. Ignorar qualquer um deles infla a margem no papel e some com ela no caixa.

  • Material: o que é consumido de fato naquele caso, não a média do mês.
  • Tempo de cadeira: quanto custa uma hora da sua clínica × a duração do procedimento.
  • Laboratório: o valor da faceta/peça terceirizada.
  • Comissão: quando o procedimento é feito por outro profissional.
  • Taxa: cartão, parcelamento, gateway — sai do seu preço, não do bolso do paciente.

Por que copiar o preço do concorrente quebra a clínica?

O preço do vizinho reflete o custo dele — a estrutura, a hora, o laboratório e a margem dele, não os seus. Ancorar no concorrente é apostar que a conta dele fecha na sua realidade. Muitas clínicas de estética descobrem tarde que o procedimento campeão de agenda estava dando prejuízo, porque olhavam faturamento e nunca o lucro por caso.

O preço do concorrente é uma caixa fechada: você não vê o custo dele. O seu preço, construído por camada, mostra exatamente de onde vem a sobra.

Do custo ao preço: qual conta a maioria erra?

Comissão e taxa são percentuais do preço — não valores fixos. Por isso não dá pra somar tudo e simplesmente adicionar uma margem: quando você sobe o preço para cobrir a margem, a comissão e a taxa sobem junto. O ponto de equilíbrio real é o custo fixo dividido por (1 menos a soma dos percentuais variáveis). É esse detalhe que separa um preço que dá lucro de um que só parece dar.

É exatamente essa conta que a calculadora de custo, preço e margem da A2 (dentro do financeiro) faz por você: você informa material, duração, laboratório, comissão e taxa, e ela devolve o preço com a margem-alvo — ou, no sentido inverso, mostra a margem real do preço que você já cobra e alerta quando ele está abaixo do que se paga.

Por que a forma de pagamento muda quanto você realmente recebe?

Pix, cartão à vista e parcelado partem do mesmo preço de tabela e chegam líquidos diferentes. Ignorar essa diferença é cobrar menos sem perceber.

Pix e boleto chegam praticamente inteiros. Cartão à vista perde a taxa da maquininha ou do gateway. Parcelado em várias vezes perde mais, porque o custo do parcelamento cresce com o número de parcelas — e é comum esse desconto ser maior do que a margem que sobrava no procedimento.

A saída não é proibir parcelamento — é embuti-lo na conta antes de fechar o caso: ou o preço de tabela já contempla a taxa média das formas aceitas, ou cada forma tem seu próprio valor líquido calculado, e você sabe qual é antes de aprovar o orçamento.

Lente e faceta custam diferente — cobre diferente

Lente de contato dental e faceta não têm o mesmo custo: mudam o material, o tempo de cadeira e, muitas vezes, o laboratório. Precificar os dois com o mesmo valor 'de estética' achata a margem de um e encarece o outro. O caminho é calcular cada procedimento do seu catálogo com os números dele — e revisar quando o custo do material ou do laboratório mudar.

Como decidir entre preço fechado e faixas por complexidade do caso?

Casos mais simples, intermediários e mais complexos dentro da mesma categoria de estética raramente custam o mesmo — por isso raramente deveriam valer o mesmo preço.

Faceta em 2 dentes não consome o mesmo tempo de cadeira nem o mesmo laboratório que faceta em 10. Cobrar um valor único 'de faceta' para as duas situações costuma sobreprecificar a mais simples e vender no limite (ou abaixo) a mais complexa. Definir 2 ou 3 faixas por quantidade de dentes ou por complexidade do caso resolve isso sem precisar orçar cada caso do zero.

Esse é o mesmo princípio de definir preço por procedimento em vez de uma tabela única — veja como aplicar isso ao catálogo inteiro da clínica.

Quando faz sentido reajustar o preço de lente e faceta?

Revise o preço sempre que o laboratório reajustar (a cada poucos meses é comum) e, no mínimo, 1 vez por ano mesmo sem reajuste externo — o custo da sua hora de cadeira muda com aluguel, equipe e ocupação da agenda, e um preço que não acompanha vira desconto invisível a cada mês que passa.

Tablet exibe um sorriso em close-up ao lado de uma escala de cores dentárias, calculadora e um documento de orçamento

Quer ver a conta pronta para o seu caso? Faça o diagnóstico gratuito da sua clínica ou veja como o financeiro da A2 mostra custo, lucro e margem por procedimento.

Para chegar ao preço com método em vez de comparação de tabela: some o material consumido, o custo da hora de cadeira (custo fixo mensal dividido pelas horas atendidas — 176 horas numa clínica de 8 horas por 22 dias), a comissão do executor e os impostos. O guia de margem de lucro de procedimento odontológico traz a ordem das operações com um exemplo numérico.

Perguntas frequentes

Devo cobrar por dente ou por arcada?+

Os dois modelos funcionam — o que não pode é escolher sem saber o custo. Calcule o custo por unidade (material, tempo e laboratório de um dente) e monte o pacote a partir daí. Assim o preço por arcada continua com margem, em vez de virar um desconto que você não percebeu que deu.

Qual é uma margem saudável para lente e faceta?+

Não existe um número único — cada clínica define a margem conforme posicionamento, estrutura e ticket. O que é inegociável é conhecer o custo real do procedimento e nunca ficar abaixo do ponto de equilíbrio. Margem-alvo se decide; ponto de equilíbrio se respeita.

Como incluir a comissão do dentista no preço?+

Comissão é percentual do preço, então entra na conta do ponto de equilíbrio junto com a taxa de pagamento — não como um valor somado no fim. Se você adicionar a comissão depois de definir o preço, ela come a margem que você achava que tinha.

Preciso de um sistema para precificar ou dá pra fazer na planilha?+

Dá pra começar na planilha, mas ela não avisa quando um procedimento está no prejuízo nem atualiza sozinha quando o custo muda. Uma calculadora que separa custo, preço e margem — e mostra o lucro por procedimento no relatório — tira a precificação do achismo.

Devo cobrar o mesmo preço para pix e cartão parcelado?+

Não devia, porque a taxa consome uma fatia maior do parcelado do que do pix — e essa fatia sai da sua margem, não do bolso do paciente. Ou o preço de tabela já embute a taxa média das formas aceitas, ou cada forma tem seu valor líquido calculado antes de fechar o caso.

Quanto cobrar por uma faceta em vários dentes?+

Não existe um valor de referência confiável para dar aqui — o que existe é o princípio: o custo por dente muda pouco, mas o tempo de cadeira e o laboratório crescem com a quantidade, então o pacote deveria refletir isso em faixas, não num preço fixo 'de estética'.

Com que frequência revisar o preço de lente e faceta?+

Sempre que o laboratório reajustar, e pelo menos 1 vez por ano mesmo sem reajuste — porque o custo da sua hora de cadeira muda com aluguel, equipe e ocupação, ainda que o material continue no mesmo preço.