Guia · Precificação

Custo real de um procedimento odontológico: o que quase ninguém conta

O custo real de um procedimento odontológico quase nunca é o que a clínica imagina, e a diferença não está em erro de conta: está no que ficou de fora dela. Material a gente lembra. O resto, não.

Mãos com luvas seguram uma faceta com pinça, com um modelo de gesso ao fundo, com o título "O custo real de um procedimento"

O custo real de um procedimento soma quatro grupos: o material consumido (inclusive o que se descarta), o custo da hora de cadeira, o trabalho de quem executou e os impostos. O grupo mais esquecido é o segundo — e é justamente o maior na maioria das clínicas.

Dentista usa a calculadora com o notebook exibindo um gráfico de crescimento ao fundo do consultório

Quando se pergunta a um dentista quanto custa um procedimento, a resposta quase sempre começa e termina no material. É compreensível: é o único custo que se vê, que tem nota fiscal e que dói na hora de comprar. Também é, na maioria dos casos, o menor dos quatro.

Este guia é a metade de baixo da conta de margem. A conta completa — e o que fazer com o resultado — está no guia sobre margem de lucro de procedimento odontológico.

O que costuma ficar de fora da conta?

O que se esquece de contar costuma ser mais numeroso do que o que se lembra — e, somado, costuma ser maior.

  • O tempo da cadeira, que corre mesmo quando ninguém está sentado nela — e que numa clínica de 176 horas mensais de capacidade é o maior item da conta.
  • O descarte: a parte do frasco que não se reaproveita, a broca que perdeu o corte, o campo que abriu e não foi usado.
  • O retrabalho previsível — a proporção de casos que voltam para ajuste e ocupam cadeira de novo.
  • O tempo da equipe fora da cadeira: a recepção que marcou, confirmou, remarcou e cobrou.
  • O custo da inadimplência e das taxas de cartão: um parcelamento em 12 vezes consome uma fatia do que entra, e ela sai da margem daquele procedimento.
  • A esterilização e o que ela consome de tempo e material por caixa.

Nenhum desses é grande sozinho. Juntos, costumam ser a diferença entre uma margem que parece confortável e uma que é apertada.

Como levantar o material consumido?

Escolha um procedimento que a clínica faz com frequência e separe fisicamente tudo que for usado nele, 1 vez. Inclua o que for descartado. Depois calcule o custo unitário a partir da embalagem: um frasco de R$ 200 que rende 20 aplicações custa R$ 10 por caso.

Fazer isso à mão 1 vez por procedimento leva uns 15 minutos e basta. Feito o levantamento, ele só muda quando você troca de marca ou o fornecedor reajusta.

Como chegar ao custo da hora?

A conta é sempre a mesma: custo fixo do mês dividido pelas horas de atendimento realizadas. As horas vagas não somem da conta — elas encarecem as outras.

Some tudo que a clínica paga por mês independentemente de atender: aluguel, condomínio, salários e encargos, energia, internet, software, contador, limpeza, manutenção, seguros. Divida pelas horas efetivamente atendidas. O número que sair é o preço de um hora de clínica funcionando.

Se você tem mais de 1 cadeira, faça por cadeira: o custo fixo total dividido pelas horas atendidas somadas de todas elas. E resista à tentação de usar a capacidade teórica — ela deixa o número bonito e a decisão errada.

E o custo do seu próprio trabalho?

Se você é o dono e executa, a tentação é não contar. Não conte como custo se preferir, mas então saiba que o que sobra não é margem da clínica: é a sua remuneração misturada com o resultado do negócio. Enquanto os dois estiverem juntos, é impossível saber se a clínica se sustenta sem você na cadeira.

A saída prática é definir um pró-labore para si, com valor fixo em reais por mês, e tratá-lo como custo fixo. A conta fica menos animadora e passa a responder perguntas que a outra não responde.

Por onde começar sem planilha complicada?

Não falta dado: falta lugar. Quase tudo que a conta precisa já existe na clínica, espalhado entre nota fiscal, extrato, folha e agenda.

Comece por 1 procedimento só, o mais frequente, e por 1 mês só, o último fechado. Uma página de caderno resolve. O objetivo da primeira rodada não é precisão — é descobrir a ordem de grandeza e quais números você ainda não tem.

Quase sempre o que falta é a mesma coisa: quantas horas a clínica realmente atendeu. Esse número está na agenda, e é o que transforma a conta de estimativa em cálculo.

Modelo de dente ao lado de uma calculadora, pilhas de moedas e um documento com gráfico financeiro

Perguntas frequentes

O que entra no custo real de um procedimento odontológico?+

Quatro grupos: o material consumido, incluindo o descarte; o custo da hora de cadeira; o trabalho de quem executou; e os impostos sobre aquele faturamento. O segundo é o mais esquecido e costuma ser o maior.

Como calcular o custo do material de um procedimento?+

Separe fisicamente tudo que for usado num caso, 1 vez, inclusive o que vai para o lixo, e calcule o custo unitário pela embalagem — um frasco de R$ 200 que rende 20 aplicações custa R$ 10 por caso. Feito uma vez, só muda com troca de marca ou reajuste.

Devo contar o meu próprio trabalho como custo?+

Se não contar, o que sobra não é margem da clínica: é a sua remuneração misturada com o resultado do negócio. Definir um pró-labore e tratá-lo como custo fixo deixa a conta menos animadora e permite saber se a clínica se sustenta sem você na cadeira.

Custo de cartão e inadimplência entram na conta?+

Entram, e são dos itens mais esquecidos. A taxa incide sobre o valor parcelado e a inadimplência tem uma proporção previsível — ambos reduzem o que efetivamente entra por aquele procedimento.

Preciso de um sistema para levantar esses custos?+

Não para a primeira rodada: um procedimento, um mês fechado e uma página de caderno bastam. O que costuma faltar é o número de horas efetivamente atendidas, e esse está na agenda.